Quer saber se está em cetose? É possível medir as cetonas no sangue, no hálito ou na urina. Cada método observa uma molécula diferente e responde a uma pergunta um pouco diferente. Veja como interpretar os resultados sem transformar uma medida em boletim metabólico.

1. Sangue: o método mais direto
O teste capilar mede o beta-hidroxibutirato (BHB), a principal cetona que circula no sangue. É a forma mais direta de verificar o nível sanguíneo naquele momento. Em geral, usa-se um medidor com tiras específicas; confira a compatibilidade, as instruções e a validade das tiras. Como referência, 0,5–3,0 mmol/L costuma ser indicado como faixa de cetose nutricional. Não é um limite diagnóstico nem uma meta a perseguir. O custo das tiras é a principal desvantagem. Para comparar resultados, meça em condições parecidas e em horários semelhantes; não existe um horário ideal para todas as pessoas.


2. Hálito: útil para acompanhar tendências
Os aparelhos de hálito estimam a acetona exalada. São reutilizáveis e dispensam tiras, mas não medem o BHB: a relação entre os dois não é precisa o bastante para tratar o resultado como uma medição sanguínea. Hidratação, álcool, higiene oral e técnica do sopro podem influenciar. São mais úteis para acompanhar sua própria tendência ao longo do tempo do que para obter um número exato ou comparar aparelhos diferentes.

3. Urina: prática principalmente no início
As tiras de urina detectam o acetoacetato eliminado pela urina. São baratas e podem ser práticas no início, mas a concentração da urina altera a leitura: uma urina diluída pode deixar a cor mais clara. Com a adaptação à dieta, o corpo pode usar cetonas com mais eficiência e eliminar menos. Por isso, uma tira negativa, sozinha, não prova que você saiu da cetose.


Qual método escolher?
Para o dado mais direto sobre as cetonas circulantes, escolha o sangue. Para acompanhar com frequência sem comprar tiras, o hálito pode ser conveniente, aceitando menor precisão. As tiras de urina podem ajudar no começo, mas ficam menos informativas com o tempo. Compare principalmente suas próprias medições feitas em condições semelhantes: os três métodos não são intercambiáveis.

Uma observação importante sobre segurança
Cetose nutricional não é o mesmo que cetoacidose diabética. Se você tem diabetes tipo 1, já teve cetoacidose ou usa um inibidor de SGLT2, combine com seu profissional de saúde se e como medir cetonas, especialmente durante uma doença ou se houver náusea, vômito ou dor abdominal. Com SGLT2, a cetoacidose pode ocorrer mesmo sem glicemia muito alta. A faixa de cetose nutricional não descarta um problema médico.

Para saber mais
Para orientações sobre cetonas no diabetes e limitações dos testes de urina, consulte as recomendações da American Diabetes Association e as diretrizes laboratoriais para o cuidado do diabetes. American Diabetes Association: Managing Ketones with Diabetes; Laboratory recommendations for diabetes care.